Ode ao Prelúdio


A rotina de dizer adeus.
06/05/2010, 9:14 PM
Filed under: Cartas

Peguei o ônibus o mais rápido que pude, cheguei no local marcado em quase 10 minutos, convenhamos que é muito rápido (já que estamos falando de se locomover dentro de São Paulo). Meu coração numa mão para uma última despedida, a idéia de livro que escrevi pra ela n’outra, o que apertava no peito já era muito pouco comparado com tudo que havíamos construído aos poucos, juntos.
Fui apenas para lhe entregar a idéia, lhe dar um grande abraço gigantesco e dizer o quanto era especial, apenas sentir o calor humano, algo que já não existia a algum tempo, eramos apenas mensagens e telefonemas de “eaê beleza?” é, não havia romantismo.

Ao chegar recebi uma mensagem perguntando aonde eu estava, respondi imediatamente que estava subindo as escadas, ao olhar para as catracas do metrô, não a vi, girei os pés e só enxerguei uma multidão de desconhecidos. Ela deveria estar ali, e em 2 horas ela estaria dentro de um avião e só nos falaríamos pessoalmente de novo depois de um ano. Enquanto procurava com impaciência recebi a outra mensagem que dizia que já não tinha mais tempo, que se foi no desespero e que esperava que eu não ficasse furioso, que a perdoasse. Respondi apenas “boa viagem” e inclui teu nome, não sabia como agir, havia tomado um bolo mas tinha plena certeza que ela não tinha feito por mal, que mesmo enrolando essa despedida a tempos, nossa despedida já teria sido antes daquele feriado em que meus caminhos mudaram de rumo e novos horizontes me instigaram a abrir mais os olhos.

Voltei pra casa em uma lata de sardinha, eu e mais um monte de trabalhadores com os pensamentos paralelos ao meu, alguns pareciam sentir o que eu sentia e quando me olhavam faziam questão de tentar não me apertar contra os bancos, na tentativa de aliviar meu desconforto.

Hoje a tristeza é algo que me toma e em poucos goles tomo o saudosismo, a lembrança boa de nossas coisas bobas. Graças a outras despedidas que tivemos muito antes de partirmos aprendi que nunca lhe tive e assim você também nunca me teve, e aos poucos enquanto se continha me guardava mais a fundo em si. Aos poucos transformamos-nos em boas lembranças mesmo antes de partir, é assim que o tempo nos ensina que a perda é algo presente todo dia nas nossas vidas, sejam elas grandes ou pequenas, são necessárias, o tempo será generoso na medida do possível, sejamos também felizes na medida do impossível.

Peço que se cuide, que caso tenha saudades, leia os livros e se eles não te entreterem, leia as dedicatórias e que chore apenas de saudade boa, que teu coração te deixe ficar quieta quando for necessário e que sua cabeça tenha paciência para raciocinar o simples da vida, que por mais que o tempo que dite as regras, resta a nós construirmos a felicidade independente do que se é ditado, independente do quanto de tempo a gente leve nas malas, as horas são diferentes aqui e ai, permita-se ser feliz independente do que passou e quando voltar haverá tempo de reescrever a história que quiser.

Danilo Tavares

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2 Comentários so far
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*Incondicionalmente sua fã…tu tem uma facilidade…uma naturalidade indescritivel para escrever…

Comentário por Erika Sodré

Ai que lindo Dan. Meus olhos encheram d’água.
Me identifico de uma certa maneira com td o q vc escreve. Parece q cada texto se encaixa num pedacinho, numa situação do meu dia.

Parabéns…
continue com seus textos maravilhosos pra sua fã aqui continuar se deliciando.

=)

Bjo

Comentário por Camila Gambeta




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