Ode ao Prelúdio


Carta a Priscila Garcia Fernandes (ou Carta #99)
31/05/2010, 1:09 AM
Filed under: Amigos, Cartas

Minha querida amiga, escrevo essa carta sem endereçar-lhe pois sei que lerá de alguma forma, mesmo que não chegue junto as outras que seguem rumo ao seu apartamento. Nosso ponto de partida já ficou a muito tempo para trás, e nós dois sabemos que podemos nos gabar de viver algo maior, algo que muitos seres humanos irão morrer sem ao menos pensar em sentir. Nossa amizade é d’outro mundo e de tão verdadeira sinto-me à vontade em te contar o que venho sentindo.

Tenho levado em meu peito um coração confortado, já não reclama de solidão, e aquele rapaz machucado, meio derrotado com quem conversará a tão pouco tempo, não existe mais. E acredite, mesmo assim estou confuso, não me machuco e nem me sinto mal por estar assim, mas aprendi com a vida que paixão machuca, é louca, desgarrada e nos põe muitas vezes em maus lençóis. O amor nos faz querer dar a vida, nos colocamos em outros lugares, mas veja bem… Não sinto nada disso, é confuso, me sinto feliz, por vezes quase completo (pois sabes que acredito que ser humano algum se completa 100% e se algum dia disse o contrário há de considerar, pois com certeza estava apaixonado), sinto-me leve, como quem finalmente encontra alguém para conversar, depois de percorrer um caminho longo sozinho.

Creio que dar vazão aos sentimentos tenha a ver com isso, quero apresentar-lhe essa minha paz de pescoço fino em que minha mão toca com tanto carinho, quando meus dedos entram em seus cabelos pela nuca e a palma da minha mão se encaixa perfeitamente com o desenho de sua cabeça é como se minha mão fosse feita para ficar ali e ela em si, toda feita para encaixar-se em mim.
É muito simples, vejo nela muito de tudo que queria e também que pedia em outras passagens, mas as formas são dela, única como todas outras foram, é ela quem acredita também nas minhas piadas, questiona minhas teorias e devolve todos meus beijos demorados.

Sinto saudade dela e não sei por onde anda nas noites frias que muitas vezes aqui não dizem nada, não poderia lhe informar meus sentimentos por uma carta direta, poderia parecer uma declaração de amor, um bilhete apaixonado, não quero que pareça isso pois antes dessa carta que lhe escrevo, escrevi tantas cartas de amor, tantas poesias apaixonadas, paixão que para mim também em algum momento foi a única. Dessa vez não penso se vai passar, o quanto vai durar, dessa vez eu simplesmente sinto e com muito carinho a desejo tanto, mas é algo que cabe em mim, algo que não me move, algo que me faz escrever essa carta a você e não a ela, quero que saibas que estou bem, quero que a conheça de vista, saiba quem em carne e osso ela é aos teus olhos.

Bom, por aqui já vai amanhecendo e preciso deitar-me, peço desculpas pelos erros grotescos redigidos em tantas linhas, sabe que não me atento quando vou escrevendo o que simplesmente sinto, agradeço pela atenção de sempre que me põe a acreditar nas pessoas, e mais ainda, acreditar que os ser humano ainda tem jeito.

Boa semana e até breve.
Danilo Tavares

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1 Comentário so far
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que lindo…profundo…confuso e ao mesmo tempo auto-explicativo
🙂

Comentário por Bruna Melo




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