Ode ao Prelúdio


Sobre a minha Pátria.
26/07/2010, 3:00 PM
Filed under: viagens

Enquanto andava por aquelas ruas, eu me sentia dono do lugar, dono de algo que não se pode ter, inexplicavelmente, sentia-me dono de algo que não podia tocar, talvez fosse dono do momento, do destino, de algo que não se descreve. Sentia-me rico sem um tostão no bolso, o ar era menos poluído e as ruas menos cheias, o frio era mais frio a vida era mais saudosa.
Enquanto andava encarava os rostos que miravam minhas roupas, eu queria mesmo é saber o que eles pensavam, estando ali pisando sobre a terra que nasceram, o que lhe podia faltar? Talvez o que me preenchesse a distância.

A feiura das suas paredes sujas de tinta eram um desagrado visível em seus rostos pálidos, uma vergonha ao falso dono da rua, e pra mim o verdadeiro dono do momento, a novidade mais bonita e contrastante, me lembravam as paredes que faziam caminho me acompanhando até a rua da minha casa, aonde mora parte da minha pátria, e me fazia pensar que a falta de quem se ama tambèm è saudade de sua pátria, e finalmente entendo Vinicius de Morais e sua “Patria Minha”, a gente cria raizes em pedacos do mundo, e isso nos faz falta… Brasil ali, era só o nome da rua de casa, a referência ao ponto que queria chegar, uma referência ampla que sem as lembranças que tenho não me levariam a lugar nenhum, as verdadeiras características das nossas vidas não vem da terra, vem de quem amamos, de quem dividimos e pra quem nos dividimos.

Quando as ruas terminaram, parei. Me sentia um grande desbravador daquele novo lugar, notei que realmente não era dono de nada em lugar nenhum no mundo, pertenciam a mim apenas sentimentos e lembranças, minha pátria se movia e enquanto eu ali parado pensava sobre a falta e a necessidade do ser humano ter um lugar no mundo para chamar de casa, minha pátria se movia, dentro de suas casas ou das ruas, possuídas por todos e sendo de ninguém. Enquanto a saudade me tomava, minha pátria no trabalho, em casa ou na rua, era tomada de saudade minha, e em quase 25 anos me dividi e descobri olhando um imenso nada que se eu pudesse levar quem amo comigo para todos os lugares, todos os lugares que poderia viver não seriam, mas teriam minha pátria.

Danilo Tavares

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2 Comentários so far
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Amei o texto.
‘minha pátria se movia…’

Comentário por There is nothing

Muito bom, Danilo!
Caetano tem em “Língua” algo q carrega o msm sentimento q o teu:

“A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria” !

Comentário por Rodrigo




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