Ode ao Prelúdio


Olhos, mãos e paladar
24/09/2010, 4:28 AM
Filed under: Cartas

Minha vista dói, meu corpo cansado pede um abraço, ou uma cerveja bem gelada.
Não acredito em pessoas alteradas, não confio em ninguém que não esteja em si, não confio pois não confio em mim fora de mim.
Os vícios que me rondavam não percorrem mais os mesmos caminhos que eu, sabem que sou mais forte que eles porém, como lembrança me mandam de presente a insegurança.
Tentado a ser o inferno que repudio, sóbrio meu peito aperta, minhas mãos tremendo não respondem nem minha raiva nem minha dor, e por amor a mim mesmo qualquer arma em minhas mãos, não dispara.
Foram anos para aprender a controlar a raiva, e a impaciência, e as vezes são as pessoas que mais amo que conseguem tirar meu pé de apoio. É assim com todo mundo, quem não te sente por inteiro, ou não conhece sua alma, não tem o poder de te derrubar, e o amor nos torna frágeis, e eu mesmo grande, sou pequeno dentro de mim e esse espaço vazio, é um ponto inexcedível, do contrário meu avesso é incontrolável.
Sâo os excessos que me preocupam na vida, e quando não se é quem realmente é, ou quem acha que deve ser, os problemas brotam como aprendizados ligeiros, de atenção necessária, constante e imediata.
Em algum lugar na noite de um dia desses eu me perdi, e tudo que me faltava chegou as minhas mãos e eu finalmente tive coragem de conhecer um mundo novo, e hoje é relembrar todos os dias da falta que me fez o que eu deixei pra trás sem querer recordar que me faz pisar sobre o orgulho e a impaciência. Hoje o silêncio é minha maior conexão com o mundo, ou com o que o criou.
Meus vícios me mostraram que eu sou menor quando me dôo, os vícios das pessoas que eu amei me mostraram que as vezes por amor damos uma segunda chance, mas nem sempre depende de nós, e quando vê o tempo levou.
Eu me sinto dividido, com ou sem cerveja, eu me sinto muito dividido e as vezes me bate uma saudade dessa parte que dei, mas quando se divide, nunca mais poderá controlar aquela parte que já não é mais sua. E se as coisas mudam, e você tem que trilhar seus caminhos sozinho novamente, seu corpo aprende a se regenerar e assim você volta a aprender a ser um homem só, porém é exatamente quando se tem paciência para viver dividido, sem o controle do que te completa que se aprende a se amar por completo.

Danilo Tavares

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1 Comentário so far
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Gostei MUITO do texto, Dan.
É nessas divisões e preenchimentos que fazemos com nós mesmos que vemos o quanto amamos, mudamos e nos transformamos em um novo ‘eu’. Novo eu, que tem um Q de antigo.

Comentário por There is nothing




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