Ode ao Prelúdio


Entre a vida e a morte
04/02/2016, 6:08 PM
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Se perder de vista já nos gela o coração, imagina quando nossas esperanças são enterradas frente aos nossos olhos? Nosso coração já não parece funcionar muito bem.
Lembro da sensação de ver meu irmão e tios partirem, com o tempo meu coração foi se acostumando a perder, era como se parte do que entendia ser a vida real já não existisse mais… O tempo passa, as relações mudam, os relacionamentos amadurecem e nossa mente trabalha de novas formas.
 
Tá, não vou dizer que me acostumei, ainda há tristeza na perda e ninguém deve se acostumar com a tristeza, mas diferente de antes, minha esperança não está no que meus olhos conseguem captar.
 
Sabe, sempre gostei de crianças, sempre amei brincar, conversar viajando nas idéias, inventar vozes e estórias, mas a experiência de ter de alguma forma gerado uma criança é ainda mais gostosa e profunda, risos que parecem com o nosso, beleza que puxou da mãe, um mindinho que lembra o da avó, em cada detalhe uma descoberta do que não parece nada novo, é como se aquele ser fosse todo um remendo daqueles que amamos, até que olhamos com mais atenção e vemos que não tem nada a ver… É coisa da nossa cabeça, ou não? Parece que dia após dia vemos e desvemos neles nós mesmos ou outros.
 
Nascem e morrem todo dia, e entre a vida e a morte há vida e morte.
 
Bom, essas são as perdas, as baixas, as partidas. Não há substituição, não há como substituir o amigo, o pai, o filho… E do começo ao fim mudamos, mudamos e mudamos, uma constante que não há como parar, uma bola que desce morro abaixo arrasando e arrastando tudo e todos. Quando nascemos vidas mudam, e quando morremos? Vidas mudam. Todos temos um grau de influência, interligados por linhas invisíveis chamadas de relacionamentos.
 
Hoje em dia, como disse antes, minha esperança não está mais no que meus olhos veem, a esperança encontrou o seu lugar em mim e entre o nascimento e a morte existe algo mais importante do que começar ou terminar, existe a oportunidade, as escolhas, a decisão, um dia uma decisão fez brotar no mundo Amanda, e da decisão minha e dela fez brotar Nina, um pouco de mim, de Amanda, de Gerson, de Edimilson, de Maria, de Rosilda e de tantos e tantos mas no entanto única pois se tentarmos reproduzi-la novamente não sai Nina, nunca mais sai Nina, Nunca mais sai Amanda, Nunca mais sai Gerson… E taí a beleza da partida, mais do que as lembranças, ficam as mudanças que quando vão, deixam em nós.

Danilo Tavares

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