Ode ao Prelúdio


Seja dúvida.
04/02/2010, 1:36 AM
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Talvez seja a resposta,
Ser metade de algo que nem diz ser
Só, o que eu nem imagino.
Seja a dúvida, sempre!
Mantenha-me curioso
Para sempre.
Inovar é preciso, todo ser humano entende disso.
É necessário não perder o rumo das coisas
O que começa em querer não se pode terminar em mal me quer.
O tempo muda
As coisas mudam
Seja sempre a dúvida,
Seja sempre o novo!
Sorridente, esbravejando ou inquieto.
O importante é não ser banho maria
É ser ausência
Tarde, noite, dia…
Manter-se uma pessoa nova, não arredia.
Talvez por uma vez, talvez,
Seja sempre alegria
Tarde, noite…
Enquanto houver vida
Chamemos de nós dois.

Danilo Tavares



Menino monostrófico (com burros n’água)
03/02/2010, 4:13 AM
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…E com o coração em pedaços voltava aos braços da solidão
Montava sua cabana feita de travesseiro e colchão
Revoltado acendia a primeira lanterna querendo não parecer só
Morria de medo de pressentir o certo
Queria a todo momento acreditar estar errado
Quieto fazendo-se de coitado
Segurando a respiração
Fingia quieto ter morrido
Montando conto a ponto
Um soneto desesperado
Que contará do nada ao mundo
Como naquele momento
Tudo parecia um buraco sem fundo
Quieto e mudo, Pegava no sono…

Danilo Tavares



Dois finais de semana vendo o sol nascer
02/02/2010, 9:50 PM
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Não é pra qualquer um
A gente tem é muita sorte
Você me ensina quase tudo que sabe
Eu quieto escuto
E quando abro a boca… é sempre piada.
Você ri, sempre animada me faz rir também…
Somos tão bobos
Teu jeito novo me ilude e eu me deixo iludir
Teu gosto diferente me faz querer mais.
Por um minuto pensei que não queria tanto assim
Até te ver tão simples e tão linda bem ali entre o espelho… diante de mim,
Você me ensina a dançar, a falar e canta.
A gente se entendia no alto nível alcoólico
Depois íamos embora sóbrios, ainda bobos.
Por uma noite teu perfume ficou em meu travesseiro
Por quase um dia inteiro trocamos poucos olhares
Ah! como é gostoso estar assim
Concentrado no que faço
Submerso entre o tempo e espaço.

Danilo Tavares



Nada tenho, tudo desdenho.
27/01/2010, 3:57 AM
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Se tivesse visto teu anúncio antes,
Teria te comprado e levado pra casa
Não te amo, mas te guardo pois exala um perfume bom
Gaveta de meias não, talvez sala, ao lado da TV
É linda mas não me tira a atenção,
Se passasse por mim cem vezes por dia
Talvez me convenceria que é comum
Mas mesmo não querendo,
Sem querer te desejo
Como nada em tempo
Querendo e não querendo
Confuso procurando
Perco.
No fim não sei se foi ou se ficou, sumiu ou o que foi,
Acaba e tenho um zero
Acreditando poder colocar na fila dos outros dois dos teus cem,
Que agora é sonho, passado, birra de menina,
Quando a gente não sabe o que quer,
Nada é muita coisa
Tudo é dúvida.

Danilo Tavares



sobre Plantas e Homens
26/01/2010, 3:39 AM
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A planta que cria raízes ama tua terra e renasce toda vez que derrubada. Aprende a se multiplicar aonde está, qualquer vento lhe ajuda a produzir novas grãos de esperança ao seu redor, onde deposita amor e confiança, acreditando que um dia quando não puder mais lutar pelo que ama, quando tiver atingido o seu limite do céu, aqueles que criou lutarão com o amor que deixara de herança e saberão o que fazer, não tendo a mínima consciência de que existe outra opção.
A Planta que vive em vaso, poderá ser sempre transportada, Conhecerá um mundo novo além da que uma visão enraizada permite, viajará o mundo aproveitando de novos ventos e desejando ventanias que levem suas crias para outros solos, um dia quando muito cansado de viajar multiplicando-se, morrerá em uma terra que desejou ficar e criar raízes, fincada em seu vazo num terreno qualquer em que criou afeição e não desejava mais deixar, sabe-se lá quanto tempo dura após tanta viagem.
A realidade é que há sim a possibilidade de nascer no lugar que ama ou descobrir que um pé de vento mais forte ou um pássaro intrometido te desviou do caminho.
Já o homem ao nascer tem sua única raiz real cortada, depois tudo vira metáfora, dia a dia e seja o que seu Deus quiser.

Danilo Tavares



Minhas (primeira carta para Douglas Rosa)
21/01/2010, 2:51 AM
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A se elas soubessem que pra mim sempre serão minhas
Que não é egoismo
Mas serão sempre minhas,
Minhas lembranças.
Elas tem meus sorrisos sempre
E as vezes minhas agunias também
Suas mãos, seus olhinhos,
Dedos tão pequenos
Cresceram com o vento em meu rosto
Quero todas tão bem, como lhe quero também
E cresce como eu cresci
Entre os romances de menina
Entre desculpas de cólica
As vejo crescer e tenho medo de perder
Todas essas princesinhas
Meu querido pequeno amigo
Daqui alguns anos pode chegar a ser como eu
E vai querer cuidar de todas elas
E vai notar que elas já sabem se cuidar
Como eu acabei de notar, como aprendi a observar e quieto, aceitar.

Danilo Tavares
21/set/2009