Ode ao Prelúdio


o dia que lembrei que era humano (ou a primeira briga do ano)
01/01/2010, 9:29 AM
Arquivado em: Estórias/Histórias | Tags: , , , , , ,

Dia 1 de janeiro de 2010, fiz tudo certinho como minha consciência mandou, passei a virada com minha mãe, douglas, ciça, silvia e Djalma(cunhado), o importante era passar com ela, já que mesmo ela dizendo PODE IR, VAI FESTEJAR dá pra notar nos olhos dela que ela quer mesmo é que todos fiquem pra dar um feliz ano novo com um abraço eterno e beijos em suas bochechas.
Resolvi então depois da virada encontrar amigos e juntos esperamos mais de uma hora e meia para entrar na balada, acabamos fazendo amizade e a fila até que parecia não demorar enquanto a gente ria e conhecia gente nova. Dentro da balada tudo ótimo, encontrei até a Bárbara, nos falamos bem pouco, ela apresentou uma amiga, trocamos algumas palavras e voltei para onde eu estava, depois disso a encontrei mais uma vez mas parecia estar muito mais ligada em dançar que contar histórias.rs
Bom, em si a balada foi ótima, amigos, gente nova, risada, bla bla bla, na hora de voltar pra casa resolvi pegar o metrô e fui andando até a barra funda, pois bem, logo já na estação de metrô, no terminal de ônibus, um indivíduo resolveu gritar “quê cê ta olhando boy?” eu realmente não acreditei que era pra mim, eu estava mexendo no celular e a única coisa que tinha reparado é que de encontro a mim vinha uma mulher uma criança de mais ou menos 2 anos e um homem com camisa de cobrador de ônibus. Continuei andando até que o individuo que gritou veio de encontro a mim já pronto pra dar um soco, bateu no meu peito e quem me conhece sabe o quanto adoro que encoste no meu peito, mesmo assim era o primeiro dia do ano, pra que discutir? e eu não sou mesmo de brigar então fiquei na minha e o FILHO DA PUTA veio novamente atrás de mim e dessa vez disse “OU BOY PASSA ESSE CELULAR PRA CÁ SEU BOYZINHO” e eu com toda delicadeza de uma moça falei “CARA VOCÊ É DOIDO? OLHA TEU FILHO AÍ, ESSA CRIANÇA SEI LÁ, ISSO É COISA QUE SE FAÇA?” e ele ficou super nervoso dizendo “PQ FICOU ME ENCARANDO?” e eu respondo de novo tranquilo “VC TA DOIDO CARA? EU NÃO TAVA OLHANDO NADA NÃO” aí recebi um soco no ombro direito, fiquei extremamente puto da vida, primeiro porque o cara tava querendo arrumar briga por algum motivo estranho, como chamar a atenção pra mostrar pra mulher que era macho, segundo que o idiota não respeitava nem a mulher muito menos o filho, só consegui dizer de novo “CARA OLHA TEU FILHO AÍ!!!! PARA COM ISSO, VC QUER ME ROUBAR AGORA DO NADA?” aí ele veio me dar um pontapé, depois disso esqueci toda a tranquilidade e fui pra cima repetindo a mesma coisa “VC É LOUCO SEU IDIOTA, OLHA TEU FILHO!” mas ele não ouvia.
Enquanto eu tentava desviar e ir pro meu caminho na boa, o idiota insistia em me seguir e tentar dar um soco ou chute, bateu de novo no meu peito, fiquei meio sem ar e aí revidei por impulso, chutei de frente, sola do pé entre o peito e a barriga e ele foi pra trás quase caindo.
Do outro lado da plataforma dos onibus havia dois carros de policia, esperei em vão que eles viessem ver o que estava acontecendo, mas não foram, quando vi, um monte de gente de longe olhando, e o cara veio até mim e me derrubou, caí de costas ficou mais dificil ainda pra respirar, bati costas, joelho de lado, ombro de novo e cotovelo, aí já tinha perdido o instinto de revidar e voltei ser racional, não tenho a mínima idéia de como o virei ali no chão mesmo e o segurando pelo colarinho ao invés de dar um soco na boca dele a única coisa que consegui fazer é novamente falar “CARA, SEU FILHO, PQ VC TA FAZENDO ISSO?” aí sim alguém chegou, a mulher dele e o filho escondido atrás das pernas, me senti um monstro, mesmo não tendo feito nada apenas me protegido o filho do cara viu eu ali já pronto pra bater no cara que nao sabia nem o que estava fazendo, a mulher que agora eu podia reparar, estava toda arrumada, salto alto, blusa cheia de brilhos disse pra mim “ele ta noiado, ele ta noiado” e ele olhou pra minha cara e falou “CARA PAROU, PAROU, FOI MAL, DESCULPA EU REALMENTE NÃO TO LEGAL” levantei, peguei meu celular do chão e o fone que quebrou com o impacto, coloquei no bolso e andei, olhando pra trás pra ver se ele não teria uma postura ainda mais covarde do que teve, foi embora levado pela mulher e o filho agarrado a ela. Um monte de gente ficou me olhando com cara de ESSE CARA DEVE TA BEBADO, DROGADO, me senti muito mal aí liguei pra Marília (que estava comigo lá na balada) desabafei um pouco pra não guardar pra mim e ficar doido.
Não tive vontade de chorar, nem raiva, tive uma dó gigante da criança e me senti muito vulnerável, por mais que a gente siga o caminho certo, há sempre um problema pra te ensinar coisas novas, hoje nem sei direito o que aprendi, mas sei que aprendi algo, parei de tremer de susto agora a pouco quando cheguei em casa, se aquele idiota tivesse armado seria meu primeiro e ultimo dia do ano, e eu não fiz nada, talvez tenha levantado a cabeça um milésimo de segundo e o infeliz tenha achado que tava olhando pra mulher dele ou que realmente eu estava o encarando e desafiando como um animal irracional, a gente nunca sabe o que se passa na cabeça dos outros e cada vez mais tenho curiosidades de entender.
Por hoje chega, independente disso meu ultimo dia de 2009 e o meu primeiro de 2010 foi muito bom, reforcei amizades, familia e criei novos laços. Ganhei ematomas nos ombros braços e principalmente no cotovelo, mas essa não é a parte boa, talvez seja a parte do “tome cuidado sempre, porque por mais que esteja bem, os outros seres não vivem na mesma sintonia que você” Talvez seja isso, talvez seja um teste, sei que continuo sendo positivo e Graças aos meus Deuses tô aqui podendo escrever sobre isso.
São 7:25 da manhã, vou tomar um banho e dormir até quanto aguentar, pois sei que o peso desse final de “noite” será mais leve quando eu acordar novamente.

Danilo Tavares



A lógica do fim.
31/12/2009, 5:20 AM
Arquivado em: Antigamente, Músicas | Tags:

Apagarei todas as juras expostas na carne
Arrancarei todos os dentes que mordem a face
Deixando meu rosto oferecer a quem vê
A tristeza para ser devorada.
E não haverá mais conversas por telefone
Nem juras de amor
Não lembrarás mais da minha voz
E sentirá saudade ao dormir
- Porque você não mora mais perto em?
E todas as outras perguntas que fizemos
Serão enterradas com a vontade finita de te amar
Todas as juras vão enterrar em covas rasas
Pois se foram fortes o bastante
Não quero dificultar sua fuga com mais de 2 palmos de terra
Com mais dois cabos de guerra
Com mais juras a despejar no tapete
Onde a cama no quarto guarda lembranças
Onde a TV da sala demonstra esperanças
De que tudo ficará bem
E que o passado se tornará um grande aprendizado
Não quero que me deixe viver,
Quero que sinta minha falta
Estou na fase que o amor acaba
E me limita como versos discutidos em pauta
Seja como for,
Acordo cedo
Durmo tarde
Tenho medo
Já vai cedo
Com medo da realidade que te consome
A vida é assim,
E se soubermos superar, engoliremos o passado à seco
E no pano preto haverá luz, deixando-o branco
Com manchas de suor de nossos corpos
Com medo das lembranças
Hoje durmo só
Mas menos sozinho que com a cama cheia
Sou menos só sozinho que com você aqui,
E isso dói bem mais que chegar a conclusão
Que o tempo passou e o amor acabou.

Danilo Tavares



O novo ano.
30/12/2009, 10:59 PM
Arquivado em: Amigos, Família, Pensando sobre | Tags: , ,

Como uma criança as vésperas do natal espero meu presente desejado a alguns palmos de distância, nem mesmo as luzes coloridas piscando chamam minha atenção, toda sua imagem celeste é só uma imagem, não me chama a atenção necessária para ter-me como espectador.

Enquanto o mundo viaja e procura fugir do que eles vêem todo o dia, tentando esquecer da realidade do dia a dia tirando um recesso do que se é o ano todo, eu me recuso.
Fico na esperança de que o ano comece de forma diferente, sei que vou ficar triste após a meia noite quando minha mãe dorme e minha irmã vai pra casa do namorado, e logo esse ano todos resolveram viajar, todos, menos eu. Tenho a esperança de que esse ano seja diferente e por isso espero, impreterivelmente será um ano novo, como todos os outros foram no começo, depois é mais uma novidade desmotivada, insistindo em terminar logo.

O fim do ano me veio com boas novidades, como se o próximo já começasse, há uma ponta de esperança, uma felicidade despretensiosa, uma novidade antes do novo, e assim espero, como a tal criança que espera e espera minutos que parecem eternos, não notando que o novo já se faz presente, mas esse novo não é o que se quer, é o futuro, o que não se toca, o que não se apressa o destino que não muda e mesmo já sabendo qual é, não podemos busca-lo, sentamos e esperamos chegar a surpresa já esperada.

Danilo Tavares



olhar de horizonte
22/12/2009, 11:54 AM
Arquivado em: Músicas

A música nova que te fiz
Não diz nada sobre você
Não diz nada sobre a gente
É quase entediante

A letra não diz o que sinto
Não diz o que sente
Não é direta,
E sem querer Desmente

A melodia me dá sono,
Te dá motivos
Pra não acreditar que é sua
Mas é sua.

Porque fiz pra você
Querendo ou sem querer, é pra você
E só o fato de pensar em você,
Já a torna uma canção de amor sobre você.

Danilo Tavares



Libertar-te

ou algo de valor instantâneo.
Uma nova possibilidade de respostas
Uma nova maneira de ver nossas vidas.
Ao caminhar pelas calçadas paulistas
Vendo o que os olhos nos servem
Enxergando o que não existe.
Um passo de cada vez
Como um ano em um mês
Como uma canção que repete o refrão,
E repetia de dois em dois,
Como uma valsa mal dançada
Uma conversa inacabada
Ou uma reação desequilibrada.
Seguia
Pela calçada
Em baixo do sol
Com músicas nos ouvidos
Com uma escadaria de palavras,
Que não se sabe se sobe ou se desce,
Como um pinheiro de natal desses de rua
Que só vemos na rua, pois dentro de casa não cabe.
Amanheci na véspera
Com um sol lindo as oito da manhã
Comendo meus olhos pela janela do quarto sem cortina
Um dia calçada n’outro cama.
A gente nunca sabe o que vem pela frente,
E mesmo que independente da situação
Mantemos um padrão de caminhada
Sabendo que o trabalho nos tira da loucura
Ocupa nossa mente
E impede a superlotação dos metrôs
E Calçadas paulistas.

Danilo Tavares

ouvindo: American Football – I’ll See You When We’re Both Not So Emotional



o “dia” que voltei a ter pesadelos.

É inevitável que as coisas mudem, mas assim?
São 2:38 da manhã, fui dormir as 22:30, acho que consegui pegar no sono lá pela 00:00, acordei a 00:30 com o “Fejão” me ligando acho que fiquei entre silenciar ou não atender, não é por mal, gosto muito dos meus amigos mas hoje eu precisava dormir, faz um bom tempo que não durmo bem e fiquei tão mal depois que desliguei sem falar com ele, na minha cabeça já haviam várias neuras que tenho carregado não sei de onde e nem sei como começaram a existir em mim, minha mente sempre me diz – Você mora longe e é mais fácil ir até todos – quando na realidade o caminho que percorro até todo mundo é o mesmo até minha casa, falando metafóricamente ou não. Sinto falta disso pra mim, talvez eu tenha valorizado demais coisas que são simples na vida e com isso esquecendo que existe um valor pra mim, que graças as idéias dos seres humanos e a modéstia que criamos para não sermos egocêntricos não consigo me dar, isso não me impede de saber o valor que tenho e guardar isso pra mim sem dividir com ninguém nunca, mas não há como viver em paz com sua consciência achando que você mente para seus sentimentos, assim haverá sempre a necessidade de receber essa visão de valores pessoais do que faço e/ou sou, de alguém que não sou eu. Esse é outro motivo de eu quase não divulgar esse blog, gosto do fato das pessoas me acharem seja como for, só digo que ele existe para pessoas que realmente gosto ou as quais me identifiquei em algum momento, o que não quer dizer que essa identificação possa servir pra sempre afinal nada é pra sempre e aí está o que me aflige.

Faz algumas semanas que tenho me sentido efusivo demais em demonstrar minha alegria por alguns amigos que parecem estar vivendo um outro mundo onde as novidades são mais atrativas e realmente tenho medo de “perde-las” pela primeira vez na minha vida tenho me preocupado em não querer ser passado na vida presente de amigos, talvez isso seja um contraponto de ter descobrido que há sim como haver amizade entre pessoas que já namoraram ou pessoas que se odiavam e riem desse passado juntas sem faltar assunto pro agora. Quando digo de novidades não é um ciúme por outras amizades e sim um não saber meu lugar e por isso estar sempre entre todos mas sozinho, muitas vezes olhando pra mim mesmo, observando os cadarços do meu tênis num momento individualista ou podemos chamar de “envergonhado” como alguém que vai a festa pelo aniversariante e não tem jeito nenhum de puxar assunto com os outros convidados.

Acho que tenho um milhão de motivo pra ter largado o emprego e ter me aventurado na vida que levo agora, mas o que me envolve mais nisso tudo além da dedicação a música e aos textos sem perder a saúde me estressando com problemas comerciais que não me dizem nada a respeito, foi poder ter tempo pra me dedicar a quem eu amo. Sinto-me vivo e feliz, como se essa fosse a necessidade da vida e realmente enxergando ela ao invés de achar isso mas viver no mundo “tenho que…” sinto-me evoluindo de um jeito totalmente paralelo aos amigos, fico feliz em enxergar a vitória de todos e poder ver de perto a conquista de muitos ou pelo menos suas pequenas batalhas que enquanto não acabam parecem gigantes e concordo e apóio, porque sinto algo que me faz bem e chamam isso de orgulho.

A minha realidade hoje é que NÃO consigo trabalhar além do necessário pra ganhar o que preciso, as vezes me sinto um banana por ver que não almejo nada muito grande e tudo parece ser meio momentâneo. Minha mente não deixa e meu corpo ajuda e assim continuo.

Minhas maiores felicidades esse ano foram ganhar cartazes dos meus sobrinhos no meu aniversário, descobrir que caso a Fernanda não possa buscar a Duda na escolinha, sou o responsável direto e me sinto muito, muito, muito feliz em me responsabilizar pelos meus sobrinhos, mesmo que minha responsabilidade não seja assim tão grande. Foi a Ciça tirar P (10) e vir me mostrar toda orgulhosa, pq no meio do ano tinha S em matéria que ela é muito boa, mas relaxou.rs A Tay que parece estar tomando jeito e estamos conversando cada vez mais , Gabi que deu um susto gigante na gente a poucos dias quase me deixando mais torto do que tô, mas continua inteligente e carinhosa como sempre e no final tudo não passou de um susto. o Doug que veio com tudo S (ou 5.rs) no boletim mas disse que vai se empenhar e fazer igual a Ciça, a Duda que hoje fez manha pra eu não sair nem subir pra ver o filme porque queria ficar sentada comigo no quintal vendo minha mãe tirar as minhocas do canteiro.

Escrevo, escrevo e penso que as vezes alguns textos parecem uma super venda de COMO O DANILO ADORA SEUS SOBRINHOS, penso em apagar, mas não faço isso porque é real, é a realidade que vivo, dentre essas alegrias existem outras que não são só minhas como o maior exemplo que foi o fim do TCC da Pri, Carina, Marília e Yumi, ver que elas parecem todas muito mais leves, principalmente a pri que é muito especial… Falo bastante dela aqui mas, deixo claro que é só uma grande amiga de quem aprendi a gostar de uma forma indescritível e é claro que é uma das pessoas que mais tenho medo de perder do meu dia-a-dia.

Todos esses assuntos me colocaram as 3:29 da manhã terminando um texto falando sobre toda a minha realidade acordado, meus medos e minhas alegrias, tudo porque tive um pesadelo que me fez sentir intensamente tudo isso, o medo de perder pessoas que amo, ter a sensação de mãos atadas e lembrar que nem todo mundo tem o mesmo pensamento sobre o que é certo. Acordei chorando e rezando do meu jeito depois de tantos anos sem rezar, depois de tanto tempo sem acordar desesperado, depois de tanto tempo voltar a não dormir.
São 3:35, meu texto acaba aqui e o meu sono ainda não chegou.

Danilo Tavares